Este texto é parte dos trabalhos da aula de comunicação do meu curso de Gestão Empresarial na Fatec.
Pela Janela.
(Inspirada na canção Paisagem
na janela, em Dom Quixote e na minha imaginação fértil)
Este texto é parte dos trabalhos da aula de comunicação do meu curso de Gestão Empresarial na Fatec.
Aconteceu aqui, mas tenho
certeza que em qualquer cidade desse “Brasilzão” onde tudo acontece em volta da
praça central. Praça essa que é envolta além de lindos ipês roxos e do coreto,
pela prefeitura, farmácia, igreja matriz, padaria e o único banco da cidade.
Entre senhores jogando dominó,
o realejo tocando aquela sinfonia mais que conhecida -que a gente assobia assim
que acorda sem saber o porquê- pipoqueiros e sorveteiros, lá está ela,
resoluta, irradiando pensamentos de amor e paixões. Bom nem tantas paixões
assim, mas uma em especifico chamou a atenção naquela tarde de verão que
antecedia uma forte chuva.
Ele chegou como todos os dias
chegava, sem saber de onde nem como, sentava em frente a ela, que parecia
fingir que não notava. Mas aquela tarde foi diferente e inesperada. Do nada ele começou a bradar:
“ Como ousas, como fazes isto
comigo, eu que lhe dou todo amor deste mundo, lutei bravamente contra tudo e
contra todos pelo nosso amor. Como assim depois de tanto que lhe dedico, me dá
as costas e me impede da sensação cálida dos teus beijos? ”
Ele parecia não crer no que
ela tinha feito, e com todo esse barulho, eu que tirava minha sesta, tive de
levantar e abrir a janela. A cena, um
misto de comovente e tragicômica, parou o centrinho da cidade, e até o prefeito
saiu para ver o espetáculo (cidade pequena quase nunca acontece nada).
Entre gritos e tentativas de
avançar contra esse amor incompreendido, ele lutou contra os guerreiros que o
agarravam e tentavam afastá-lo de seu amor. E da janela eu pude perceber o
prefeito, satisfeito, comentar com a sua secretária “ Ainda bem que mandei
cercar a fonte, não aguento mais Cervantes em seus dias de Dom Quixote”
E a índia Ubirici, chorando
seus rios de lágrimas, inerte e impotente, aquieta-se na sua fonte de lagrimas,
agora cercada e protegida do único ser que é capaz de nutrir por ela sinceros
sentimentos, mesmos que insanos.
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